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Natal 2009
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Por causa de uns cabritos
Era uma vez um homem. Era uma vez uma mulher.
Encontraram-se, agradaram-se um do outro e vai daí casaram-se.
Esta história começa onde as outras acabam. Mas há mais para contar.
A mulher levou para a casa nova uma cabrinha de que nunca se apartara. O homem levou um bode, que sempre lhe fizera companhia.
Já se vê que a cabra e o bode apreciaram a ideia. Meses depois nasceram cabritos.
– Vou vendê-los no mercado e com o dinheiro que ganhar quero comprar umas coisa para mim – disse o homem.
– E para mim? – perguntou a mulher, fazendo cara feia.
– Para ti? – admirou-se o homem. – Os cabritos pertenciam-me. A tua cabra, quando veio cá para casa, não tinha cabritos.
O meu bode é que lhos fez.
Portanto, os cabritos pertencem-me. Posso fazer deles o que eu quiser.
Não era este o ponto de vista da mulher. Quando há pontos de vista opostos, há discussão. Às vezes, a discussão escorrega para zanga. Foi o que aconteceu.
Fizeram mais barulho do que deviam e os vizinhos foram queixar-se ao juiz. Ele, que sabia julgar, que decidisse daquele caso.
O juiz, um rapaz novo e bem disposto, ouviu a história, pensou um bocadinho e disse:
– Eu hoje não posso tratar desse caso, porque tenho de ir avisar a minha mãe de que o meu pai deu à luz um bebé.
Ficaram todos muito espantados. Depois, desataram a rir.
Quando o dono do bode ouviu a resposta do juiz também se riu. E a mulher com ele. Aliás, ela ainda se riu mais.
Estava tudo esclarecido.
Tempos depois, na casa do homem e da mulher que por pouco não fora abaixo por causa de uma discussão de cabritos, nasceu um menino.
Dos dois, já se vê.
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