Novembro 25th, 2008

Novembro 25th, 2008

Primeiro Natal do Pardalito

Aqui há coisa de três semanas, um pardal do Rossio, daqueles que escolheram para poiso e morada os ramos das árvores que circundam a dita praça, começou assim a história que vamos contar:

– Companheiros pardais, pardalitos e pardalões, escutem todos, a notícia é importante.

Juntou-se a pardalada. Quem ali passe todas as tardes, à hora da saída dos empregos, não deve estranhar o arruído que vem das árvores despidas de folha, mas cheias, cheinhas de passarinhos tagarelas. As pessoas andam na sua vida muito apressadas, e nem sequer dão conta da chilreada doida dos pardais:

“Chega-te para lá! Aí sou eu”
“Olha o pardalão a querer tomar-me o lugar…”.
“Ai que ainda te dou uma bicada…”.
“Não me provoques!”.
“Toma que é para saberes”.
“Deixa-me em paz”.

Mas voltemos à nossa história.

Oiçamos o que o pardal tem para dizer:
– Peço silêncio, se não calo-me – piava ele, tentando impor a ordem à assembleia.

Demorou o seu tempo.

Os pardais são uns espalhafatosos e uns gralhadores incorrigíveis.

– A notícia que vos trago importa a todos. Há bocadinho, estava eu poisado num ramo baixo, e ouvi uma conversa entre um cauteleiro e um engraxador. Sabem do que estavam a falar?