Natal 2009
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Oficina dos Brinquedos de Natal
Começa num sótão de uma velha casa a história que vamos contar. De uma mala entreaberta sai uma vozinha queixosa:
- Está frio, hoje! A quantos estamos?
“Talvez em Dezembro”, “Parece-me que em Novembro…”, “Não sei se em Janeiro…”, respondem várias vozes estremunhadas.
- O cuco do relógio sabe. Dêem-lhe corda que ele diz – lembra outra voz mais esperta.
Da mala entreaberta sai um ursinho cor de canela, mas um pouco descorado. Espreguiça-se, volta a espreguiçar-se e trepa custosamente a em escadote.
Pendurado na parede e parado está o relógio de cuco, que já se não usa. O que se não usa está usado ou estragado, no sótão fica guardado.
- Não trabalho, mas faço contas de cabeça – diz de lá o cuco. – Se perco a conta ao tempo, nunca mais me acerto.
- Anda lá, despacha-te, e diz-nos a quantos estamos! – impacienta-se o ursinho de peluche.
- Neste momento são precisamente nove horas, treze minutos e vinte e cinco segundos… Cucu… cucu… cucu…
- O dia, o dia! – exigem várias vozes do rés-do-chão.
- … do dia 24 de Dezembro de… Cucu… cucu… cucu…
- Véspera de Natal, imaginem - e uma boneca de cabelo emaranhado e saia traçada salta de uma gaveta a correr.
- Para onde vais tu com tanta pressa? – pergunta-lhe, do cimo do escadote, o ursinho cor de canela.
- Vou arranjar-me para a ceia. Estou atrasadíssima. Um palhaço amolgado aparece, a piscar os olhos, detrás de uma velha cómoda.
- Vai ver-te ao espelho, boneca tola! – diz-lhe ele.
- Detesto espelhos… – e a boneca põe-se a chorar.
De caixas, gavetas e arcas saem mais bonecos e brinquedos. Soldadinhos de espingarda partida, cavalos sem orelhas, macacos de algodão com o algodão à mostra, burros de pasta ratada e até um carro de bombeiros, equilibrado em três rodas, acorrem ao choro da boneca.
- Há novidade? Há fogo, inundação, desastre? É preciso ajuda? – perguntam os bombeiros uns aos outros.
O palhaço amolgado tranquiliza-os: